A TV ROCK entrevistou o baterista Felipe Ribeiro, 29 anos, um dos fundadores do Confronto, banda carioca de metalcore. Ele fala sobre os dez anos da banda, a cena underground e também comenta o fato de nunca a banda ter trocado de músico nesse tempo.
TV ROCK: Fale sobre esses dez anos.
Ribeiro: Como sabe, tivemos muitas dificuldades, afinal somos brasileiros e, banda de rock com som pesado no Brasil não tem espaço, porém, fazemos tudo com o coração, e superamos os problemas. Conseguimos chegar aos dez anos, várias conquistas, três CDs lançados nos anos de 2001, 2005 e 2009. Já realizamos turnês no Brasil, America do Sul e quatro turnês européias. Coisas boas aconteceram, foram 170 shows na Europa, para mostrar essas conquistas, estamos lançando o DVD de dez anos.
TV ROCK: Fale um pouco sobre o som que vocês tocam, o Metalcore?
Ribeiro: Não inventamos nada, bandas nacionais como Ratos do Porão, Dorsal Atlântica, e as internacionais como: D.R.I., Agnostic Front e Suicidal Tendecies já faziam essa união do punk com o metal há muito tempo. É muito bom ter um público diferente, sempre foi nossa idéia, é muito valido ter idéias diferentes. Aquela coisa dos anos 80 e 90, na qual o punk e o heavy metal não podiam andar juntos, foi superada.
TV ROCK: Você concorda com a tese de que o paulistano não gosta de show nacional?
Ribeiro: Sinceramente eu discordo. Sabemos que o paulista adora assistir os shows internacionais, mas posso afirmar que fazemos mais shows em São Paulo do que no Rio de Janeiro. Tanto a Capital como o interior de São Paulo nos recebe muito bem, só tenho a agradecer ao público de São Paulo.
TV ROCK: Agora, você concorda que o rock pega mais em metrópoles do que em cidades praianas?
Ribeiro: Concordo, isso é fato! O povo praiano é ligado em outras coisas, metrópoles têm aquele stress, as pessoas muito preocupadas com trabalho, todos com pressa. O céu é cinzento, pedra sobre pedra e o heavy metal tem haver com esse clima. Na praia o clima é outro, o mar acalma as pessoas.
TV ROCK: Quais são as suas influencias?
Ribeiro: Earth Crisis, Slayer, Sepultura, Kreator, Ratos de Porão, Pantera. Mas posso afirmar que das bandas novas, quase nenhuma me agrada. Talvez a que mais me agradou foi o Lamb Of God. Achei bem legal.
TV ROCK: Como vocês conseguiram permanecer esses dez anos juntos?
Ribeiro: Amizade. Já éramos amigos, já conversávamos direto, a banda é um casamento, comemoramos vitórias juntos, somos todos da Baixada Fluminense.
TV ROCK: Fale sobre o publico europeu.
Ribeiro: Ele é diferente! Posso afirmar que o publico sul americano é mais humano, agita mais, acompanha, o europeu é mais frio, não tem aquele nosso sangue latino. Mas fico muito feliz quando toco fora do país. Já passamos por Portugal, Áustria, Noruega, Itália, Polônia, Equador, Colômbia etc...
TV ROCK: Você escuta alguma coisa fora do metal e do rock?
Ribeiro: Posso citar Black Music anos 70, Jorge Benjor, James Brown. No Punk Rock eu gosto do Cólera, Rancid e Dropkick Murphys.
TV ROCK: O Confronto vive só de musica?
Ribeiro: Viver só disso não da, eu trabalho para a banda, não pensem que chove dinheiro, mas consegui comprar as minhas coisas. Mas o guitarrista é polidor de pranchas, Eduardo, baixista, é mecanico, Felipe, o vocal, é advogado, mas para todos nós a banda é prioridade.
TV ROCK: Como músico de uma banda de som pesado, que possui influência hardcore, qual sua opinião política?
Ribeiro: Temos que fazer uma geral, falta estrutura para o país, uma independência financeira. Brasil, Equador, India, Congo têm os mesmos problemas, mas o nosso país tem espaço para crescer, os outros não. Trabalhamos para produzir para fora, por isso o pais não cresce.