Mais uma vez a cidade de São Paulo foi palco de uma iniciativa maravilhosa da Secretária de Cultura. A Virada Cultural, para ser sincero eu nunca me interessei, pois sei que evento gratuito em São Paulo é sempre uma loucura.
Mas parei para pensar, tantas pessoas gostariam de estar em São Paulo para assistir algum show, eu que moro aqui, não vou a nenhum? Já que tivemos até atrações internacionais nos quatro anos anteriores...
O mais legal são os artistas do rock e da MPB que estão esquecidos ou mesmo fora da mídia, são chamados, provando que nem todo mundo só escuta música de rádio ou de programas televisivos.
Estava em minha casa, quando conversei com Rufino, lendário musico da banda Tutti-Frutti, que nos anos setenta acompanhou Rita Lee. Ele disse para eu chegar cedo, pois teria acesso ao camarim. Mas amigos, fiz uma enorme besteira, cheguei muito cedo e parei o carro na Estação República do metrô (nunca façam isso).
Vamos aos shows:
O Tutti-Frutti entrou às 17h, além de Rufino, a banda conta com Luiz Carlini, que tem na banda o seu filho e sua esposa como vocalista, uma banda familiar!
A esposa de Luiz leva muito bem, o único problema é que não tocou nenhuma do primeiro trabalho do grupo: Atrás do Porto Tem uma Cidade, já que o disco Fruto Proibido de 1975, foi o escolhido.
Tocaram músicas como: "Agora só falta você", "Esse Tal de Roque Enrow", "Ovelha Negra", entre outras, deixou todos felizes a cantar, senti falta da musica "Luz Del Fuego", mas fica para a próxima vez.
Resolvi dar uma volta, antes de assistir o show do Som Nosso de Cada Dia. Ao passear pela cidade, passei pela Largo do Arouche, foi bonito avistar senhores da terceira idade dançando ao som de Benito de Paula, mas quem gosta de Zé Geraldo, não foi muito feliz, o excesso de pessoas, fazia com que muitos desistiam. Quando eu voltei para o Som Nosso, era tarde, e apenas ouvi uma musica.
Há mais de vinte anos que eu gosto e tenho vontade assistir o Joelho de Porco. Meu sonho foi realizado, foi muito bom ouvir "Aeroporto de Congonhas", "México Lindo", "Trombadinhas", "Funicoli-Funicola" (onde ela dedicou ao bairro do Brás – Bairro no qual eu nasci) e "Se Você Vai de Xaxado Eu Vou de Rock 'n' Roll".
Percebemos que muitas pessoas, principalmente as mais jovens, não conheciam a banda. Eles que poderiam dar um show mais comprido, mas valeu assistir o Joelho de Porco!
Agora era a vez do Camisa de Venus, a banda liderada por Marcelo Nova, também contou com Luiz Carlini e Ivan Busic na bateria. O público do Camisa não poderia ser outro se não todos aqueles que foram adolescentes na década de oitenta.
Mas Marcelo Nova está bonzinho, prova disso foi quando executou a musica "Silvia", onde ele pediu respeito, pois ela já é uma senhora, e no final ao invés de xingar a "Silvia", como de costume, ele disse que ama a Silvia.
As músicas que agitaram foram: "Gotham City", "Joana Dark", "Hoje" e "Adventista". Uma musica da qual o Camisa nunca toca é "Lena". Mas nem tudo foi festa, o local estava muito cheio, tinha pessoas penduradas em arvores, e tudo isso gerou muito empurra-empurra.
Motivos pelos quais eu desencanei 'total' de assistir o Velhas Virgens. Pensei então vou embora. Nossa que besteira que eu fiz, em volta do meu veículo tinha umas cinqüenta pessoas ilhando o mesmo, pedi licença, dormi cerca de uma hora, e fui curtir a balada.
Resolvi assistir o palco que teríamos 24h de Raúl Seixas, me dirigi até a Estação da Luz, passei na Praça Alfredo Issa, estava rolando um samba de raiz (é assim que eles falam).
Ao chegar no local a banda que tocaria era Alex Valenzi & The Hideaway Cats, que fazem um rockabilly competente, alguns músicos também fazem parte do Crazy Legs. O único problema é que o público queria ouvir Raúl Seixas, eles tocaram apenas musicas que o Raulzito escutava.
É... o Maluco Beleza sempre adorou o rock dos anos 50! Eles apavoraram com os covers: Chuck Berry, Elvis Presley, Gene Vincent, entre outros... A maioria gostou, mas alguns torceram o nariz, o que quase ocasionou uma briga, já que os Rockabillys presentes foram até o local para ver a banda.
Na sequência entrou uma banda cover que faria a releitura do disco O dia em que a Terra Parou, de 1977. Eles abriram com a faixa-título, depois emendaram com "Sapato 36", esse álbum possui clássicos como "Maluco Beleza" e "No Fundo do Quintal da Escola", mas a banda começou a tocar musicas mais desconhecidas, motivo que várias pessoas, resolveram abandonar o local, inclusive eu.
Já eram 6h quando passei e escutei a palavra 'Samba Rock', mas vocês sabem o que isso quer dizer, um samba com guitarra, onde de rock temos apenas 10% ou menos. Assisti um pouco da banda Sambasonics, que conta com uma vocalista japonesa que é tudo de bom.
Fui novamente a Estação República, agora para assistir ao show do Matanza. Essa banda posso afirmar que cresceu demais, pois a República parecia um estádio de futebol em dia de clássico.
A banda tocou "Bom é Quando Faz Mal", "Ela Roubou Meu Caminhão", "A Arte do Insulto", mas esqueceram as músicas "Pé na Porta" e "Santa Madre". O vocalista Jimmy agradecia o fato de ser 7h e ter muita gente.
Quando o relógio marcava 7h30 eu resolvi arriscar, entrei no meu veiculo e fui timidamente pedindo licença para o formigueiro de gente.
Considerações finais: Minha idéia era voltar no dia seguinte, para assistir a um tributo ao Jimi Hendrix e também o vocalista de Frank Zappa, Ike Willis. Mas não teve jeito o cansaço estava tomando conta do corpo e eu ainda tinha que a noite me dirigir a São Bernardo, para o show do Arch Enemy.
Mas venho através desta resenha parabenizar o evento. É muito bom ver todos os estilos de música reunidos e lembrar dos artistas esquecidos, encontrar várias pessoas conhecidas, tudo isso não tem preço!
Infelizmente eu presenciei uma cena lamentável, um rapaz desmaiado e uma garota de nariz sangrando, numa tentativa de assalto, mas isso é inevitável perante o número de pessoas. Só que é quase impossível ver briga, já que o amor a música é mais forte do qualquer coisa. Até o ano que vem!
Por Adriano Coelho